Saiba tudo sobre plasticidade cerebral e como podemos fortalecer o sistema nervoso através do meio em que vivemos


Em Artigos - 12-04-2019

O cérebro é um dos órgãos mais complexos do nosso corpo. Podemos dizer que ele é o principal órgão de aprendizagem do ser humano. É, também, considerado um órgão plástico. Ou seja, nosso cérebro é extremamente adaptável e responsável pelas atividades externas. Aqui, analisaremos o que é plasticidade cerebral e como podemos fortalecer o nosso sistema nervoso, de acordo com o meio.

 

É fato que não podemos viver sem nosso cérebro. Não há vida inteligente para um indivíduo sem suas atividades. Nosso total controle relacionado aos comportamentos, emoções, sensações e memórias fazem parte das atividades cerebrais.

 

O cérebro é considerado um órgão plástico. Obviamente, o cérebro não é composto por plástico. Porém, a associação é devida a capacidade que o órgão possui de mudar ao longo da vida.

 

Antigamente, o cérebro era considerado um órgão sem capacidade regenerativa. Isto é, possuía programas geneticamente fixo. No entanto, sabemos que hoje, o cérebro é muito mais flexível do que se imaginava. Algumas funções de recuperação do corpo tornou-se exemplos de como o cérebro é maleável. Por essa razão, grandes estudos julgam o órgão como plástico.

 

Afinal, o que é plasticidade cerebral?

 

A plasticidade cerebral é o nome dado as mudanças que nosso cérebro é capaz de realizar ao longo da vida. Por meio da plasticidade, nosso cérebro possui habilidades de modificar a organização estrutural e funcional em resposta às influencias ambientais. Além de reduzir os danos de eventuais lesões sofridas por ele. Com isso, a incrível competência de estar sempre se modificando é sua característica.   

 

plasticidade cerebral

 

O sistema nervoso central permite as adaptações das mudanças alcançadas. É nele que existem os neurônios. Esses, por meio de novas conexões entre as células nervosas, são responsáveis por permitir as alterações estruturais, em resposta à experiência, adaptações e estímulos repetidos.  

 

Nossos neurônios são os principais causadores de todas as mudanças adaptáveis. Através de suas conexões sinápticas e da organização das áreas cerebrais é possível alcançar as acomodações. A cada nova experiência do indivíduo, redes de neurônios são rearranjadas e diversas sinapses são reforçadas. Possibilitando múltiplas respostas ao ambiente cuja facilidade vem através da plasticidade cerebral.

 

Neuroplasticidade

 

Também chamada de plasticidade neural, a neuroplasticidade é a habilidade do cérebro de se recuperar e reestruturar. Segundo Dráuzio Varella, neuroplasticidade é a capacidade que os neurônios possuem de formar novas conexões, através das sinapse neurais.

 

Com isso, o cérebro permite se recuperar de transtornos ou lesões e reduzir os efeitos das estruturas alteradas por patologias. Como a doença de Parkinson, a deterioração cognitiva, o Alzheimer, a dislexia, a insônia, entre outras doenças causadas no envelhecimento.

 

Sinapses neurais

 

As sinapses neurais são fundamentais para a plasticidade do cérebro. É a região especializada que permitem os impulsos nervosos passarem de uma célula à outra. É considerada a região de proximidade entre a extremidade de um neurônio e uma célula vizinha. A fim de proporcionar uma resposta a um determinado sinal. 

 

Quando deparamos com perguntas como: Porque conseguimos nos locomover? Porque podemos acordar sem despertador? Ou porque sentimos emoções? Podemos dizer que tudo está ligado às sinapses que os neurônios são capazes de alcançar.

 

sinapes neurais

 

Ao fazer uma atividade, nossos neurônios, por meio de sinapses, levam a informação ao cérebro para exercer tais atividades. Um bom exemplo é o sentimento da dor física. De um modo geral, a dor nada mais é que impulsos nervosos que chegam as células nervosas. Dessa forma, elas transmitem a informação da dor para vários neurônios, até chegar ao cérebro. Ou seja, houve, então, uma adaptação do cérebro em relação ao dor física causada.

 

Um neurônio faz sinapses com diversos outros neurônios. Estima-se que uma única célula nervosa possa fazer mais de mil sinapses. Em razão disso, a plasticidade cerebral é um mecanismo adaptativo. O cérebro é capaz de criar conexões entre neurônios, estabelecendo novas formas de pensar e agir no ambiente, resultado de adaptações do indivíduo ou estímulos repetidos. 

 

 

Plasticidade cerebral e o aprendizado

 

 

A partir da plasticidade cerebral, podemos dizer que o aprendizado não ocorre de maneira automática. As conquistas de novas informações depende de conhecimentos já existentes.  Isto é, uma carga de estímulos faz com que o aprendizado permaneça em atividade constante. Desse modo, há um fortalecendo e desenvolvendo das redes neuronais do cérebro.

 

 

 

Estimular a plasticidade cerebral na educação é fundamental para que os alunos adquirem mais conhecimentos. Claramente, respeitando suas limitações, aspectos físicos, cognitivos, emocionais, linguísticos e sociais. 

 

Encorajar ou desafiar o aluno, provoca suas emoções de maneira satisfatória. As sinapses neurais são imediatamente enviados para o hipotálamo, mostrando ser algo curioso. Assim, a nova informação será arquivada na memória, tornando-se um conhecimento adquirido. Por essa razão, é de extrema importância que o professor proporcione a seus alunos práticas eficazes de ensino.

 

Para a terceira idade

 

Para os mais velhos, a plasticidade cerebral em relação ao aprendizado e educação não são interrompidos. A diferença é que a plasticidade ocorre em uma parte do cérebro diferente daquela onde ocorre em pessoas mais jovens. É no córtex que os jovens apresentam a plasticidade, enquanto que é na matéria branca que os idosos a alcançam. A chamada matéria branca do nosso cérebro é considerada mais aguçada, onde tornam as transmissões de sinais mais eficiente. Assim, a plasticidade cerebral do idoso é, também, ativa devido a matéria branca.

 

plasticidade em idosos

 

Entretanto, o controle sobre os sentimentos, pensamentos e memórias se tornam mais frágeis devido ao envelhecimento. Estudos confirmam que o exercício físico regular é uma das principais formas de melhorar as funções cognitivas. Além disso, exercer atividades para a mente estimulam o cérebro. Pintar, ouvir músicas, aprender a tocar um instrumento, escrever ou aprender um idioma, também melhoram significativamente a função cognitiva.

 

Portanto, a melhor plasticidade cerebral para o idoso é associar atividades físicas e mentais. Assim, o cérebro permanece em constantes tarefas, estimulando, ainda mais, o sistema nervo e suas sinapses.   

 

Plasticidade cerebral infantil

 

Ao segurar um bebê, é preciso ter total cuidado com sua cabeça para não batê-la em nenhum lugar. Essa razão é porque os primeiros anos da vida de uma criança são fundamentais para seu desenvolvimento cerebral.

 

Nessa fase, a evolução do cérebro acontece rapidamente. O órgão se desenvolve por meio da nutrição e cuidados adequados. Como também, pela continuidade de interações da criança com outras pessoas ou ambiente. 

 

plasticidade cerebral em crianças

 

Setecentas mil novas conexões por segundo são criadas durante os primeiros 6 anos de vida. Basta estar em relação com o mundo que o bebê cria uma ligação em seu cérebro. Por isso, as interações sociais são fundamentais para impulsionar a atividade cerebral. É nessa fase que os neurônios estão mais aptos a receber informações do ambiente. Entretanto, se a criança for negligenciada, muitas ligações entre os neurônios deixam de acontecer. O que pode afetar o seu potencial de desenvolvimento e aprendizagem.

 

Assim, na infância, a plasticidade e a comunicação entre os neurônios estão mais propícias para os estímulos. Por isso, a importância do afeto e da educação dado à criança posiciona um melhor desenvolvimento cerebral. 

 

Durante este período, é fundamental para nutrir o cérebro a interação positiva com a criança. Deixá-la explorar o mundo é importante para ocorrer a modelação do cérebro, iniciando a plasticidade cerebral. Atividades em grupo, brincadeiras com toda a família, atenção e educação são essenciais nessa fase do crescimento da criança.

 

Após este período de criação de milhares de conexões neuronais, o cérebro começa a “limpar” as sinapses. Não é que ficamos menos inteligente, o que ocorre é que nós tornamos especialista de nós mesmos. Como em língua, cultura, comportamento e sentimentos que regularmente percebemos e reproduzimos. As conexões mais usadas são reforçadas, por outro lado, as ligações menos utilizadas são gradativamente enfraquecidas e eliminadas.

 

No entanto, sempre estamos aprendendo e estimulando a plasticidade cerebral. Ao envelhecer há uma diminuição dos estímulos, naturalmente devido à idade avançada. Porém, não deixamos de ter o cérebro ativo. Ele pode ser mais ou menos, de acordo com limites, físicos e os anos.

 

Para os que já apresentam idade mais avançada, existem diversas atividades que contribuem para estimular a plasticidade cerebral. Como interação com outras pessoas da mesma idade, dinâmica de grupos, terapias e exercícios físicos. Além da existência da telemedicina, em casos que o idoso precisa ter um acompanhamento médico.

 

Como fortalecer o sistema nervoso?

 

Existem diversos exercícios que estimulam a capacidade do cérebro de aprender e se sentir bem. Para a terceira idade, são fatores fundamentais que fortalecem o sistema nervoso, permitindo mais saúde física e mental.

 

plasticidade cerebral

 

Atividades físicas: Se exercitar diariamente ajuda a diminuir o estresse que atinge a saúde mental, fortalecendo o sistema nervoso.

 

Sol: A luz solar é um excelente regulador do sistema nervoso, melhorando diversas funções do corpo. E, além disso, nos fornece vitamina D e aumenta a oxigenação do sangue.

 

Dormir bem: Ter noites mal dormidas afeta diretamente no sistema nervoso. O sono alterado pode ocasionar ansiedade, estresse, dor, entre outros fatores.

 

Alimentação: A alimentação saudável é fundamental para nossa saúde. Adquirir uma dieta adequada contribui para o fortalecimento do sistema nervoso.

 

Musicoterapia: Atividades relaxantes, como ouvir música, contribui com a melhora do sistema nervoso. Nos idosos, ela pode ajudar, até mesmo, no combate à diversas doenças. Os neurônios afetam positivamente diferentes áreas do cérebro, possibilitando estímulos variados, além do bem-estar.

 

Portanto, a plasticidade neuronal afeta o cotidiano de cada pessoa. A estimulação do cérebro faz com que a plasticidade permita adquirir novas ligações e novas aprendizagens. E assim, são nossos sentimentos, inteligência e memória. Estímulos repetidos são guardadas e a falta deles são apagadas. Para os mais velhos, estimular o sistema nervoso é fundamental para a saúde mental.

 

Nesse artigo analisamos tudo sobre a plasticidade cerebral. Veja também como atingir o envelhecimento saudável e passar dos 100 anos. Outro excelente artigo que nos direciona para uma vida mais saudável.