Preconceito contra idosos: saiba como identificar e combater

Solidão na terceira idade
Em Saúde - 09-02-2018

O preconceito contra idosos ainda é uma realidade no Brasil e no mundo. Embora estejam vivendo mais e com melhorias na qualidade de vida, essas pessoas ainda passam por várias situações de preconceito.

 

 

Em 2016 a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou sua preocupação com o preconceito contra idosos em um relatório divulgado em Genebra. Segundo a entidade, 60% da população mundial considera que os idosos não são respeitados.

 

 

Como denominar o preconceito contra idosos?

 

 

Na língua portuguesa não há uma denominação oficial para o preconceito contra idosos. Comumente usa-se o termo “ageísmo”, uma adaptação da nomenclatura em inglês ageism, cunhada pelo gerontólogo Robert Neil Butler, em 1969.

 

 

Segundo o médico, várias atitudes podem ser classificadas como ageísmo, desde tratar idosos de maneira infantilizada (usando termos como “fofinho”, “velhinho”, etc.), até estereotipar as pessoas pela sua idade e duvidar da sua capacidade, excluindo-as do convívio social e da participação nas mais diversas atividades.

 

 

Discriminação é baseada em estereótipos

 

 

preconceito contra idosos

 

 

O preconceito é o ato de criar uma ideia a respeito de algo ou alguém com base em informações pré-concebidas.

 

 

No caso dos idosos, a discriminação aparece de várias formas, transparecendo os estereótipos formados pela sociedade em relação à terceira idade.

 

 

Associa-se o envelhecimento ao aumento de doenças graves, como cânceres e problemas cardíacos. A virilidade e a vida sexual ativa são vistas como tabu, muitos preferem nem falar sobre namoro na terceira idade.

 

 

No mercado de trabalho o idoso também é discriminado, sendo visto como incapaz e ultrapassado, pouco adaptado às evoluções tecnológicas.

 

 

Outro preconceito comum é a crença de que todo idoso está “caducando”. Antigamente não havia conhecimento suficiente, mas, atualmente, sabe-se que esquecimento e confusões mentais apresentadas por algumas pessoas idosas está relacionada ao Alzheimer.

 

 

A doença atinge cerca de 40% das pessoas com mais de 80 anos, afetando a memória e outros comportamentos cognitivos. O avanço da doença pode ser retardado se o diagnóstico for precoce, melhorando a qualidade de vida do paciente.

 

 

Preconceito deve ser combatido em quatro pontos principais

 

 

Um artigo publicado pela professora Becca Levy, da Universidade de Yale, em setembro de 2017 aponta a necessidade de combater o preconceito contra os idosos em quatro frentes:

 

 

Saúde

 

 

Numa sociedade que cultiva corpos esculturais e a busca constante pela juventude, ficar velho é quase um pecado. Por isso é importante dissociar a velhice da imagem de problemas de saúde.

 

 

A medicina está avançando e as pessoas estão mantendo hábitos saudáveis, fazendo com que terceira idade chegue trazendo mais qualidade de vida.

 

 

Convívio intergeracional

 

 

Convívio intergeracional

 

 

Pessoas de faixas etárias diferentes devem ser estimuladas a conviverem entre si. Cada uma tem conhecimentos e experiências diferentes para compartilhar e esse contato pode ser muito rico.

 

 

A dica para quem tem mais de 60 anos é buscar atividades que propiciem o encontro com as diferentes gerações. Clubes, espaços culturais e organizações solidárias são algumas das opções para conhecer outras pessoas.

 

 

Já para quem ainda é mais jovem, a orientação é abrir espaço para essa relação. Visite seus avós ou o vizinho mais velho. Se houver alguma casa de idosos próxima de você, faça uma visita e descubra quanta sabedoria essa convivência pode gerar.

 

 

Legislação

 

 

O aumento da expectativa de vida demanda ajustes nas leis, para que idosos continuem garantindo seus direitos. Esses ajustes possivelmente vão ajudar com que a terceira idade mantenha-se ativa na sociedade, sendo mais integrada na mesma. 

 

 

O Estatuto do Idoso prevê, entre outras coisas, a proibição do estabelecimento máximo de idade para ofertas de emprego, a criminalização do abandono e prática de violência contra pessoas nessa faixa etária, e o atendimento prioritário em clínicas e hospitais da rede pública de saúde e no sistema judiciário.

 

 

Ambiente Social

 

 

Assim como já acontece com outros grupos minoritários, como negros e mulheres, é preciso uma revolução contra os estigmas enraizados na sociedade. Grupos devem ser formados em prol dos interesses dos idosos, disseminando informações e buscando mais direitos perante a legislação.

 

 

O envelhecimento nas diferentes regiões do mundo

 

 

Segundo a ONG inglesa Global AgeWatch Index, o Brasil ocupa a 58ª posição das melhores nações para se envelhecer, em uma lista que reúne 96 países que concentram 91% da população de idosos do mundo. Noruega, Suécia e Suíça ocupam as primeiras colocações.

 

 

Entre os itens que colocam o Brasil em uma posição tão baixa estão a falta de segurança e insatisfação com o transporte público.

 

 

E se, por aqui, os idosos ainda não recebem o tratamento desejado, em outros países a situação é bem diferente.

 

 

Na China e no Japão, por exemplo, a velhice é vista como um sinônimo de sabedoria e os idosos são tratados com admiração e respeito. Já a Holanda foi considerada por seis anos consecutivos como o país europeu com o melhor sistema de saúde voltado para a terceira idade.

 

 

Idosos devem ter seus desejos respeitados

 

 

Um fator decisivo para melhorar a qualidade de vida dos idosos e ajudar a quebrar o preceito é saber ouvi-los. Diante de qualquer decisão que deva ser tomada, elas devem ser incluídas e dar a palavra final.

 

 

E isso vale para a escolha de médicos, tratamentos de saúde, contratação de cuidadores ou até a escolha de um novo lar.

 

 

Mesmo que a sua saúde esteja debilitada, é fundamental respeitar o desejo e dar ao idoso o controle da sua vida. As decisões devem ser tomadas por outros apenas no caso em que essas pessoas não estejam lúcidas para tal.

 

 

Saiba entender a história, a vida, as vontades e o quanto essa pessoa ainda tem a contribuir em sua convivência. Combater o preconceito contra idosos é uma luta diária e que deve ser observada nos pequenos detalhes.

 

 

Conhece alguém ou presenciou alguma cena de violência e maus tratos a algum idosos? Entre em contato com o Disque 100 e denuncie! Mudar essa realidade é dever de todos.

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